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🥇Romi-Isetta : A história do microcarro brasileiro

Conheça a história e o legado do Romi-Isetta no Brasil, o primeiro automóvel de passeio fabricado no país e marco inicial da indústria automotiva nacional.

Laura Ruiz
Por Laura RuizAtualizado 17 Out 2026

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Romi-Isetta : A história do microcarro brasileiro

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O Romi-Isetta ocupa um lugar singular na memória automotiva do país. Lançado em 5 de setembro de 1956 pela Indústrias Romi S.A., ele foi o primeiro carro de passeio fabricado em solo brasileiro e um marco na história dos automóveis e da indústria automotiva nacional, com design único, motorização eficiente e legado preservado como ícone histórico.

Para entusiastas de automóveis, historiadores, colecionadores de carros antigos e leitores interessados na formação do setor automotivo brasileiro, sua trajetória ajuda a entender como começou a produção nacional em série e por que esse microcarro ainda desperta interesse cultural e econômico.

Com suas dimensões reduzidas e visual inconfundível, o pequeno veículo não apenas atendeu às necessidades de mobilidade da época, mas também abriu as portas para o surgimento de uma frota nacional e para um capítulo decisivo da industrialização brasileira.

Produção do Romi-Isetta em Santa Bárbara d'Oeste

A história do Romi-Isetta começa na Itália, onde a fabricante italiana Iso SpA desenvolveu o projeto original do microcarro no início da década de 1950. A proposta era criar um transporte individual acessível, econômico e ágil para a Europa em reconstrução pós-Guerra, e o modelo se tornaria um marco entre os automóveis e na indústria automotiva brasileira.

Atento ao potencial de motorização do mercado brasileiro, o empresário Américo Emílio Romi, à frente de uma empresa pioneira, firmou um acordo de licença com a Iso para produzir o veículo em Santa Bárbara d'Oeste, no interior de São Paulo, onde seria fabricado no Brasil com alto índice de nacionalização.

A produção foi iniciada em 1956, e o primeiro Romi-Isetta saiu da linha de montagem em 30 de junho de 1956, em uma estrutura apoiada por mão de obra qualificada e por uma linha produtiva avançada para a época, marcando pioneirismo na fabricação de carrocerias e na montagem em série no país. Parte desse legado está preservada no acervo da Fundação Romi, que ajuda a contextualizar sua relevância histórica diante de outros marcos posteriores, como a Vemaguet, em um cenário no qual o Grupo Executivo da Indústria Automobilística foi criado em 1956.

Design e engenharia sem precedentes

O design do Romi-Isetta desafiou todas as convenções da época. O projeto de origem italiana, ligado à ISO Automotoveicoli, tinha como elemento mais marcante a porta frontal única, que se abria para a frente levando junto a coluna de direção, facilitando o acesso ao banco inteiriço que acomodava dois adultos e ainda oferecia espaço limitado para uma criança.

Na linha de montagem iniciada em 1956, em Santa Bárbara d'Oeste, SP, a mão de obra local teve papel central, e mais de 70% do peso do Romi-Isetta era de peças nacionais, marco que reforça seu pioneirismo como o primeiro carro de passeio fabricado em série no Brasil. Compacto, o carrinho se destacava pela praticidade nas ruas, e o teto solar ajudava na ventilação e também servia como saída auxiliar. Foi considerado o primeiro carro nacional, mas perdeu o título oficial depois, em comparação com Vemaguet e DKW Vemag Universal.

Ficha Técnica de Destaque

  1. Formato: Carroceria em forma de "ovo", com duas rodas dianteiras e bitola traseira estreita; em muita foto de época, aparece como um prático carrinho urbano.
  2. Teto: Capota de lona dobrável, que funcionava como elemento de estilo, tipo teto solar para ventilação, saída de emergência e ponto marcante de reprodução histórica.
  3. Dimensões: Apenas 2,28 metros de comprimento e 1,38 metro de largura.
  4. Peso: Aproximadamente 350 kg, medida que reforçava sua praticidade nas ruas e o avanço que representou como passo de inovação para a mobilidade urbana.

Característica

Detalhe

Período de Produção

1956 – 1961

Unidades Produzidas

Cerca de 3.000 exemplares

Capacidade

2 ocupantes

Consumo Médio

Até 25 km/l

Motorização e evolução Mecânica

Ao longo de sua trajetória no Brasil, o Romi-Isetta utilizou duas motorizações distintas, mas essa evolução técnica não se traduziu em sucesso comercial duradouro:

  1. Motor Iso 2 Tempos (1956–1958): Monocilíndrico de 236 cm³, refrigerado a ar, acoplado a um câmbio manual de quatro marchas. Renderia cerca de 9,5 cv de potência, suficiente para atingir velocidade máxima de 85 km/h. Exigia a mistura prévia de óleo dois tempos à gasolina.

  2. Motor BMW 4 Tempos (1959–1961): Visando maior confiabilidade e desempenho, a Romi adotou o motor da BMW de 298 cm³ com 13 cv. Essa alteração reduziu o nível de ruído, eliminou a fumaça do óleo e melhorou o consumo de combustível, embora a produção tenha sido encerrada pouco depois.

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Curiosidades do Microcarro

  1. Pioneirismo Sem Incentivo: Embora tenha chegado ao mercado antes dos modelos aprovados pelo GEIA (Grupo Executivo da Indústria Automobilística), o Romi-Isetta enfrentou barreiras burocráticas por ser considerado pequeno demais para as diretrizes governamentais da época, mesmo no ambiente de incentivo à indústria automobilística associado a Juscelino Kubitschek, e muitas notícias posteriores — inclusive na Folha de S — passaram a destacar esse contraste em sua trajetória.
  2. Apelidos Carinhosos: No Brasil, o formato peculiar rendeu apelidos como "Bola de Futebol" e "Ovo", além de marcar presença na memória de encontros de colecionadores e em mais de um evento dedicado ao antigomobilismo.
  3. Abertura Frontal Segura: O sistema de abertura frontal exigia que o motorista estacionasse de frente para a calçada para que os passageiros desembarcassem com segurança diretamente no passeio público.
  4. Motor BMW 4 Tempos (1959–1961): Apesar das melhorias mecânicas, o modelo não alcançou grande sucesso comercial, e a produção foi interrompida devido a dificuldades financeiras.

O legado do Romi-Isetta

O Romi-Isetta deixou de ser produzido em 1961, quando os sedãs e veículos de maior porte passaram a dominar as preferências do consumidor. No entanto, o modelo garantiu status definitivo de item de coleção.

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Hoje, um exemplar preservado ou restaurado nos padrões originais possui alto valor histórico e financeiro. Trata-se de uma peça de museu sobre rodas que atrai atenção em encontros de carros antigos, em encontro de Romi e em outras reuniões de antigomobilismo por onde passa.

  1. A primeira corrida do modelo aconteceu em 13 de abril de 1958, no Autódromo de Interlagos, em São Paulo, em um evento organizado pelo Clube dos Proprietários do Romi-Isetta, logo após o lançamento nas ruas, com participação de pilotos amadores e entusiastas nas disputas com os Romi Isettas.

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