Descubra as infrações de trânsito mais frequentes nas grandes cidades brasileiras, os valores atualizados das multas e dicas práticas para evitar autuações.
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Em 2024, o Brasil registrou um número recorde de 74,9 milhões de infrações de trânsito — a sexta alta consecutiva, segundo dados da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran). Para colocar esse número em perspectiva: são mais de 200 mil autuações por dia, todos os dias do ano. Nas grandes cidades, onde a fiscalização eletrônica opera 24 horas por dia, a probabilidade de ser flagrado em uma infração nunca foi tão alta. Ainda assim, apenas 290 mil Carteiras Nacionais de Habilitação (CNHs) foram suspensas no mesmo período — o menor índice desde 2013 —, o que indica que a maioria dos motoristas infratores paga a multa mas não muda o comportamento.
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Este guia analisa as infrações mais frequentes nas metrópoles brasileiras, os valores e penalidades associados a cada uma delas e, principalmente, as estratégias práticas para evitá-las. Os dados são baseados no Registro Nacional de Infrações de Trânsito (RENAINF) e no Anuário da Senatran.
Antes de entrar nas infrações específicas, é fundamental compreender a escala do problema. Em 2023, foram registradas mais de 21,1 milhões de infrações em todo o Brasil, segundo o RENAINF divulgado no Anuário da Senatran (ONSV). Já em fevereiro de 2024 isoladamente, o número chegou a 6,085 milhões de autuações — ritmo que projeta mais de 70 milhões de infrações anuais. O salto para 74,9 milhões ao final de 2024 confirmou essa tendência.
Um dado estrutural importante: 60% das multas registradas são classificadas como graves ou gravíssimas, segundo o Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV). Isso significa que a maioria das infrações não é trivial — envolve riscos reais à segurança de motoristas, passageiros e pedestres. Além disso, o crescimento das autuações está diretamente ligado à expansão da fiscalização eletrônica: cidades como São Paulo e Natal dobraram o número de equipamentos entre 2021 e 2024.
O estado de São Paulo concentra parcela desproporcional das autuações: mais de 2,3 milhões de infrações foram emitidas até setembro de 2024 apenas no estado, segundo o Detran-SP reportado pela CNN Brasil. A Senatran aponta que São Paulo respondeu por 42% de todas as penalidades do país em 2023.
Com base nos dados do RENAINF para 2023 e 2024, é possível traçar um ranking consistente das infrações mais registradas no ambiente urbano. O gráfico abaixo ilustra o volume de autuações das cinco principais categorias em 2023:

Infrações de Trânsito Mais Registradas no Brasil — 2023 (em milhões de autuações). Fontes: RENAINF/Senatran; pesquisa Zignet/Unicamp.
O excesso de velocidade lidera o ranking com folga. Em 2023, 31,7 milhões de motoristas foram flagrados dirigindo acima da velocidade permitida, segundo pesquisa da Zignet em parceria com a Unicamp citada pelo Portal do Trânsito. Em 2024, apenas a infração de dirigir até 20% acima do limite gerou 40,7 milhões de autuações — equivalente a 47,1% de todas as multas do ano, conforme levantamento do Vrum.
A penalidade varia conforme o grau de excesso:
O avanço de semáforo é a segunda infração mais registrada no Brasil. Em 2023, mais de 3,8 milhões de autuações foram lavradas por esse motivo, segundo o Anuário Senatran. Trata-se de infração gravíssima: multa de R$ 293,47 e 7 pontos na CNH. O CTB não prevê qualquer isenção para avanços durante a madrugada ou em vias de baixo movimento.
Apesar de ser um hábito consolidado para a maioria dos motoristas, o não uso do cinto ainda gerou 2,5 milhões de infrações em 2023, conforme a Senatran citada pelo Estadão. A infração é grave: R$ 195,23 e 5 pontos na CNH, aplicável ao condutor e a cada passageiro sem cinto. O veículo pode ser retido até que todos os ocupantes estejam devidamente equipados.
Nas metrópoles, a disputa por vagas é constante. Em 2023, as multas por estacionamento irregular atingiram 2,1 milhões de autuações, com crescimento expressivo em relação a anos anteriores. A penalidade varia: estacionar em local proibido é infração média (R$ 130,16 e 4 pontos), mas parar sobre faixa de pedestres eleva a gravidade para grave (R$ 195,23 e 5 pontos). Estacionar em pista de rodovia ou via de trânsito rápido é gravíssimo: R$ 293,47 e 7 pontos.
Embora não apareça no topo do ranking de volume (pois depende de flagrante por agente humano ou câmera específica), o uso do celular ao volante é infração gravíssima — R$ 293,47 e 7 pontos na CNH — e foi responsável por cerca de 15% das suspensões de CNH nos maiores estados em 2024, segundo dados citados pelo Mixvale. A infração foi endurecida em 2016, quando passou de média (4 pontos) para gravíssima (7 pontos).
A tabela abaixo consolida as principais infrações urbanas com seus respectivos valores, pontuação na CNH e medidas administrativas, com base nos valores vigentes do CTB atualizados em 2024:
| Infração | Gravidade | Multa (R$) | Pontos CNH | Medida Administrativa |
|---|---|---|---|---|
| Excesso de velocidade (até 20% acima) | Média | 130,16 | 4 | — |
| Excesso de velocidade (20% a 50% acima) | Grave | 195,23 | 5 | — |
| Excesso de velocidade (acima de 50%) | Gravíssima | 880,41 (×3) | 7 | Suspensão da CNH + reciclagem |
| Avanço de sinal vermelho | Gravíssima | 293,47 | 7 | — |
| Uso de celular ao volante | Gravíssima | 293,47 | 7 | Retenção do veículo |
| Falta de cinto de segurança | Grave | 195,23 | 5 | Retenção do veículo |
| Estacionamento irregular (local proibido) | Média | 130,16 | 4 | Remoção do veículo |
| Estacionamento em faixa de pedestres | Grave | 195,23 | 5 | Remoção do veículo |
| Transitar em local/horário proibido (rodízio) | Média | 130,16 | 4 | — |
| Conversão proibida (placa R-25a) | Grave | 195,23 | 5 | — |
| Dirigir sob efeito de álcool | Gravíssima | 2.934,70 (×10) | — | Suspensão 12 meses + retenção veículo |
| Participar de racha | Gravíssima | 2.934,70 (×10) | — | Suspensão da CNH + apreensão do veículo |
Fonte: Código de Trânsito Brasileiro (CTB), Art. 258, com valores fixados pela Lei nº 13.281/2016. Infrações com fator multiplicador indicado entre parênteses. Infrações autossuspensivas não computam pontos na CNH, pois a suspensão já é a penalidade direta.
Conhecer as infrações é o primeiro passo; adotar hábitos preventivos é o que efetivamente protege o motorista. A seguir, estratégias concretas organizadas por categoria de infração.
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Além do impacto financeiro, cada infração desconta pontos da CNH. O limite para suspensão varia conforme o histórico do motorista nos últimos 12 meses, segundo o Exame:
Isso significa que um motorista que avançou dois sinais vermelhos (14 pontos) e foi flagrado usando o celular (7 pontos) acumula 21 pontos — suficiente para suspensão imediata, dado que possui duas infrações gravíssimas. A análise dos dados da tabela de infrações mostra que a multa média base é de R$ 660,10, com desvio padrão de R$ 1.064,20, refletindo a grande assimetria entre infrações comuns e as gravíssimas com multiplicador — como embriaguez ao volante (R$ 2.934,70) e racha (R$ 2.934,70).
É importante reconhecer uma limitação metodológica central: os rankings de infrações refletem o que é registrado, não necessariamente o que é cometido. O Portal do Trânsito aponta que apenas uma fração das infrações cometidas resulta em autuação. Infrações como excesso de velocidade e avanço de sinal lideram porque são facilmente capturadas por radares e câmeras que operam 24 horas. Infrações como uso de celular, que dependem de flagrante por agente humano, provavelmente são subnotificadas.
Outro dado paradoxal: apesar do recorde de 74,9 milhões de infrações em 2024, o número de CNHs suspensas caiu para 290 mil — o menor desde 2013. Isso pode indicar que os motoristas estão pagando as multas sem acumular pontos suficientes para suspensão, ou que há atrasos no processamento administrativo. De qualquer forma, o dado sugere que a fiscalização eletrônica arrecada, mas não necessariamente muda comportamentos de forma duradoura.
A tendência é de intensificação da fiscalização. São Paulo e outras capitais continuam expandindo a rede de câmeras e radares. Em paralelo, o Congresso Nacional debate projetos que endurecem penalidades para infrações graves: um projeto em tramitação na Câmara prevê multas de até R$ 29 mil e suspensão da CNH por 10 anos em acidentes com vítimas fatais envolvendo embriaguez ao volante.
Para motoristas profissionais, a legislação já prevê limite diferenciado: 40 pontos antes da suspensão, reconhecendo a dependência econômica da habilitação. A validade da CNH também foi reformulada — condutores com menos de 50 anos renovam a cada 10 anos; entre 50 e 70 anos, a cada 5 anos.
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O cenário reforça uma conclusão clara: em um ambiente de fiscalização crescente e multas cada vez mais onerosas, a melhor estratégia não é reagir às autuações, mas preveni-las. Conhecer as infrações mais comuns, entender os valores e adotar hábitos preventivos é o caminho mais eficiente — e mais barato — para dirigir nas grandes cidades brasileiras.
Sim. O CTB prevê três instâncias de recurso administrativo: a JARI (Junta Administrativa de Recursos de Infrações), o CETRAN (Conselho Estadual de Trânsito) e, em última instância, o CONTRAN (Conselho Nacional de Trânsito). O prazo para o primeiro recurso é geralmente de 30 dias após a notificação de penalidade. Se deferido, a multa é cancelada e os pontos não são computados.
Sim. Infrações leves (R$ 88,38) e médias (R$ 130,16) podem ser convertidas em advertência escrita se o motorista não for reincidente na mesma infração nos últimos 12 meses, conforme o CTB. Nesse caso, não há pagamento nem desconto de pontos.
Pelo aplicativo da Carteira Digital de Trânsito (CDT) ou pelo portal gov.br/Senatran, é possível consultar o histórico de infrações por CPF ou placa do veículo.
A multa não paga é inscrita na dívida ativa do estado e pode impedir o licenciamento anual do veículo (CRLV). Além disso, o veículo pode ser retido em blitz. Os pontos na CNH, no entanto, são computados independentemente do pagamento.
Sim. O CTB prevê desconto de 20% para pagamento dentro do prazo de 30 dias após a notificação de penalidade, antes do vencimento. Após esse prazo, o valor integral é cobrado, com possibilidade de acréscimo de juros e correção monetária.
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